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Saúde SexualTrauma e Cura

Curar-se pela autonomia: escolher um DIU depois de uma violência sexual

A autora, sobrevivente de violência sexual cometida por um namorado, conta que depois da agressão passou a desconfiar do próprio corpo: até o banho virou um espaço difícil, e ir ao ginecologista parecia impensável. Mesmo assim, decidiu colocar um DIU para se proteger — uma escolha irônica, já que o procedimento exigia deitar com os pés nos estribos e entregar o controle do corpo a outra pessoa, algo muito parecido com o trauma.

O que mudou não foi o medo, mas a forma como ele foi acolhido. Ela encontrou uma médica que pratica cuidado informado pelo trauma: explicou cada etapa, ofereceu todas as opções de controle da dor e pediu consentimento repetidas vezes, deixando claro que pararia a qualquer momento.

Ela optou por não usar óxido nitroso para se manter presente e tomou analgésico e misoprostol para facilitar a inserção, com o apoio da colega de quarto. Durante o procedimento, ouviu uma playlist feita por alguém querido e se sentiu participante ativa, não um corpo passivo.

Doeu, mas foi finito, previsível e guiado pelo consentimento dela. No fim, chorou “lágrimas de triunfo”: seu corpo tinha passado por algo íntimo sem ser violado. Ela critica o tom acusatório que sobreviventes costumam ouvir e defende que retomar o poder sobre o corpo é parte essencial da cura.


Leia na íntegra (em inglês, no Scarleteen)