Um outro tipo de intimidade: libido, TEPT e a quietude do corpo
Raffaella di Girolamo vive com transtorno de estresse pós-traumático e conta que, nos últimos anos, sua libido praticamente desapareceu. Ela ressalta que isso não vem de medo do sexo: já teve experiências muito prazerosas e não associa a sexualidade a perigo. A diferença é que sua energia vital está sendo investida em outro lugar — em sobreviver às consequências de ter denunciado abusos, que incluíram descrédito, insultos e até agressões.
Hoje ela não tem uma rotina de masturbação e, às vezes, passa meses sem pensar nisso. Por um tempo, achou que algo dentro dela tinha quebrado, já que a cultura associa libido a saúde e feminilidade. Com o tempo, passou a acreditar que o desejo acompanha para onde vai nossa energia.
Em vez de perguntar quando a libido vai voltar, ela passou a observar pequenos momentos de conforto: o sol na pele, os lençóis limpos, o cheiro de café, os ombros que finalmente relaxam. São momentos não sexuais, mas profundamente corporais.
Para ela, a intimidade não começa na sexualidade, mas “no momento em que paramos de abandonar nosso corpo”. Hoje, a quietude não é ausência de desejo: é o lugar onde o corpo está lembrando que é seguro simplesmente existir.
Leia na íntegra (em inglês, no Bodysex)
Imagem: reprodução/Bodysex